Acácio ficou impossibilitado de participar da sabatina da Rede Globo Amapá, devido à votação da PEC 47, na qual mais de 30 mil amapaenses podem ser contemplados
Por Redação
O candidato ao Senado e deputado federal Acácio Favacho (MDB) cancelou sua presença na rodada de entrevistas da Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo no Amapá, programada para esta semana, após ser convocado às pressas a Brasília para articular a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 47 na Câmara dos Deputados. Relator da matéria na Casa, o parlamentar justificou a ausência nos estúdios em Macapá pela urgência de assegurar maioria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), onde o texto enfrenta etapas decisivas de tramitação com potencial de impactar diretamente a vida de milhares de servidores públicos e famílias amapaenses.
A decisão de trocar a vitrine eleitoral da televisão pelo corpo a corpo nos corredores do Congresso Nacional reflete o peso político e a responsabilidade institucional que recaem sobre a relatoria da proposta. A PEC 47 trata do enquadramento e da transposição de servidores dos antigos territórios federais — Amapá, Roraima e Rondônia — para o quadro em extinção da administração pública federal, uma demanda histórica regional que envolve segurança jurídica, recomposição de carreiras e impacto econômico direto na renda local.
Segundo comunicado divulgado pelo parlamentar em suas redes sociais, o momento exige presença física nos centros decisórios de Brasília para alinhar votos e blindar o parecer de eventuais resistências de bancadas governistas ou da oposição. Favacho ressaltou que reconhece o papel fundamental das sabatinas e dos debates na imprensa para o esclarecimento do eleitorado, mas avaliou que a defesa do interesse público dos trabalhadores amapaenses exigiu prioridade operacional imediata.
Nos bastidores da campanha, a ausência foi calculada diante do calendário legislativo apertado e do risco de adiamento da apreciação na comissão temática. Para a equipe do emedebista, o comparecimento a sabatinas locais pode ser reagendado ou compensado em outros momentos da corrida eleitoral, enquanto uma derrota ou o atraso na pauta da CCJ comprometeria anos de articulação em favor das categorias abrangidas pela emenda constitucional.
A rotina em Brasília ganhou tom de mutirão nesta reta decisiva. O trabalho de relatoria demanda a construção de consensos entre técnicos do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, lideranças partidárias e as representações sindicais dos ex-territórios. A proposta busca corrigir distorções históricas deixadas pela transformação das antigas unidades federativas em estados autônomos pela Constituição de 1988, garantindo que servidores que exerceram funções durante o período de transição tenham seus vínculos e direitos reconhecidos pela União.
Para o Amapá, a aprovação definitiva da PEC 47 representa um alívio fiscal substancial para os cofres estaduais, transferindo despesas de pessoal para o orçamento federal e liberando capacidade de investimento para áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Por outro lado, para os servidores e seus dependentes, a medida significa estabilidade financeira e a formalização de garantias funcionais que vinham sendo travadas por barreiras burocráticas ao longo das últimas décadas.
Ao justificar a opção por priorizar o mandato parlamentar em detrimento dos holofotes eleitorais, o deputado enfatizou que sua principal prestação de contas com o estado, neste instante, dá-se pela atuação direta no plenário e nas comissões. A expectativa agora gira em torno do desfecho da deliberação na CCJ, que definirá os próximos passos regimentais antes do envio do texto ao plenário principal da Câmara. Enquanto isso, a coordenação da campanha informou que busca novos alinhamentos com a emissora para cumprir compromissos jornalísticos futuros sem prejuízo às atividades legislativas em curso na capital federal.