Moradores do Residencial Manari pedem que Furlan se mude com urgência do condomínio, pois não aguentam mais as operações da Polícia Federal
Trambique da família Furlan acabou com a tranquilidade do Residencial Manari
Por Redação
A tranquilidade do Residencial Manari Village, condomínio de alto padrão localizado no bairro Chefe Clodoaldo, na zona sul de Macapá, foi definitivamente rompida pelo barulho de sirenes e pelo piscar de luzes intermitentes. Cansados da rotina de sobressaltos, os moradores do residencial iniciaram nesta semana a articulação de um abaixo-assinado para exigir a saída do ex-prefeito da capital, Antônio Furlan (PSD), cujo endereço virou alvo frequente de operações da Polícia Federal. Furlan, afastado recentemente do cargo por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, é investigado por suposto envolvimento em um esquema de desvio de verbas públicas, peculato e fraudes licitatórias. A vizinhança alega que o forte aparato policial mobilizado nas diligências sucessivas transformou o ambiente familiar em um cenário de constante tensão, tornando a permanência do político insustentável para a segurança e o bem-estar coletivo.
O clima entre as ruas arborizadas e as fachadas modernas do condomínio é de pura indignação. Quem escolheu o local em busca de privacidade e silêncio agora convive com o constrangimento de ter a portaria cercada por viaturas caracterizadas e agentes armados nas primeiras horas do dia. Essa situação evidencia o clamor central dos condôminos: o direito ao sossego perdeu espaço para o desdobramento de escândalos políticos que correm em segredo de Justiça.
"Ninguém aguenta mais acordar com o barulho de rádio de polícia e homens fortemente armados na porta ao lado", desabafa uma moradora que preferiu não se identificar por medo de represálias, dada a influência política do investigado. Segundo ela, o impacto psicológico sobre os grupos mais vulneráveis do Manari Village tem sido o principal motor para a medida drástica da expulsão. "Temos muitas pessoas idosas e crianças pequenas aqui. Elas ficam apavoradas quando veem aquele aparato todo. O condomínio virou uma extensão da Superintendência da Polícia Federal, e nós pagamos caro para ter paz, não para vivermos assustados", completa.
O documento que circula de forma reservada entre os moradores reflete o esgotamento da paciência com o "vizinho ilustre". A estratégia jurídica e social do abaixo-assinado busca pressionar a administração do residencial e a própria família Furlan a buscarem outro local de residência. Nos bastidores, a alegação é de que a reincidência das buscas e apreensões desvaloriza os imóveis e quebra as regras básicas de convivência e segurança interna, uma vez que a movimentação altera a rotina rigorosa de identificação na portaria.
As investigações que correm sob a relatoria do ministro Flávio Dino apontam para fraudes contratuais volumosas na gestão municipal de Antônio Furlan, o que justificou o afastamento imediato do ex-prefeito para evitar a destruição de provas. No entanto, o desdobramento prático dessas ações policiais acabou por transferir o ônus do escândalo para os muros do Manari Village. Outro morador, que também exigiu sigilo, relata o constrangimento social gerado pela situação. "Receber visitas virou um problema. Todo mundo que mora aqui agora é associado visualmente a essa confusão. As viaturas fecham a rua interna, impedem o fluxo e criam um clima de quase pânico. Queremos apenas que a normalidade volte ao nosso espaço", afirma.
Até o momento, a defesa de Antônio Furlan não se manifestou oficialmente sobre a mobilização dos vizinhos ou sobre o teor do abaixo-assinado. O espaço segue aberto para esclarecimentos. Enquanto o processo judicial caminha a passos lentos nos tribunais superiores em Brasília, a velocidade da insatisfação local corre a passos largos. O que antes era uma demonstração de prestígio por abrigar a maior autoridade do município transformou-se, para os residentes do Manari Village, em um incômodo diário e coletivo. Eles prometem entregar o documento formalizado nos próximos dias, consolidando o desejo de isolar o ex-prefeito não apenas da vida pública, mas também do convívio comunitário e social.



