Agressões de Antônio Furlan contra jornalistas resulta em abertura de comissão processante na Câmara de Macapá
Por Redação
Após agredir e mandar prender jornalistas ao ser indagado sobre o andamento de uma obra em um hospital municipal que estava inspecionando na manhã de domingo, 17 de agosto, o prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), será investigado pela Câmara de Macapá. Uma comissão processante foi criada para apurar e formalizar a abertura de um processo administrativo devido à acusação de agressão física contra os profissionais de imprensa Heverson Castro e Iran Fróes.
Um vídeo registrou o crime de agressão, no qual Castro questiona Furlan sobre o atraso nas obras do novo Hospital Municipal, que começaram em 2023. Sem dar resposta, o prefeito continua andando e, logo depois, se dirige a Fróes, que está na extremidade oposta do local, aplicando-lhe uma gravata e tentando asfixiá-lo com o golpe de luta marcial. O ataque de fúria foi agravado pelo fato de Antônio Furlan ser médico e lutador profissional de Judô.
O presidente da Câmara de Macapá, vereador Pedro DaLua (União), pautou o incidente após os jornalistas agredidos apresentarem uma denúncia formal. O caso foi convertido em um documento de 59 páginas, que incluí imagens do prefeito imobilizando o cinegrafista, além de um relato detalhado dos acontecimentos que levaram ao ataque durante a vistoria na obra do hospital municipal.
A comissão foi instalada em uma sessão tumultuada na terça-feira, 19 de agosto, com a presença barulhenta de apoiadores do prefeito de Macapá. Ela será encarregada de investigar e avaliar o processo administrativo iniciado em decorrência da acusação contra o prefeito. Como a situação pode representar uma violação do decoro de seu cargo, Furlan será convocado para prestar informações.
Conforme o documento de 59 páginas, os profissionais de imprensa detalharam o momento da cobertura, descrevendo os acontecimentos que precederam o primeiro empurrão e o que ocorreu após a confusão. Eles também mostram fotos e vídeos capturados de vários ângulos. Essas imagens ilustram algumas das diferenças entre as versões divulgadas até o momento e destacam que a equipe de reportagem estava exercendo suas funções normalmente quando foi alvo de violência.
Maurício Pereira, advogado dos jornalistas agredidos e presos arbitrariamente, classificou como abuso de autoridade o incidente ocorrido durante a vistoria das obras do Hospital Municipal. Mais grave, ainda, foi a ordem de prisão emitida por Furlan e cumprida com truculência por uma guarnição da Gurda Municipal que se encontrava às proximidades da confusão. Os dois jornalistas foram presos como se fossem marginais, atirados com crueldade no camburão da viatura e levados para o CIOES do Pacoval.
De acordo com Pereira, os comunicadores foram liberados após assinarem um termo circunstanciado porque não havia evidências de agressão por parte deles. "O Heverson e o Iran foram recentemente liberados por meio de um termo circunstanciado, o que significa que o delegado concluiu que não havia um crime de gravidade", afirmou ele.
Entrincheirado em seu gabinete, no Palácio Laurindo Banha, sede da PMM, Antônio Furlan matinha permanente contato, via celular, com sua bancada, na CMM, manobrando, conforme informações exclusivas obtidas pelo portal REGIÃO NORTE NOTÍCIAS, os parlamentares alinhavados à sua gestão, para impedir a instalação da comissão. Uma das mais acionadas pelo gestor foi a vereadora Luana Serrão, que a todo momento interrompia os trabalhos conduzidos por DaLua para denunciar que estava tendo a palavra cerceada pela Mesa Diretora.
Em resposta às sucessivas petições da vereadora, o presidente da CMM respondeu que estava seguindo as diretrizes do regime interno da Casa que, naquelas circunstâncias, como o processo de instalação de uma comissão processante contra o prefeito da capital, somente permitia a manifestação das lideranças de bancada.
O vereador Ruzivan Pontes (REP) presidirá a comissão processante. Os demais integrantes escolhidos em plenário por votação são Alexandre Azevedo (PODE), Alessandro Monteiro (PDT, que será o relator).



