Lambança: CREA-AP impede tentativa de demolição do Shopping Popular de Macapá sob suspeita de fraude em laudos apresentados pela gestão Antônio Furlan

Lambança: CREA-AP impede tentativa de demolição do Shopping Popular de Macapá sob suspeita de fraude em laudos apresentados pela gestão Antônio Furlan

Por Redação 

 

A gestão do prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), está no centro de uma grave acusação judicial: o uso de laudos de engenharia supostamente “falsificados” para justificar a interdição e uma possível demolição do Shopping Popular, impactando a vida de 121 microempreendedores.

A denúncia, apresentada na 1ª Vara de Fazenda Pública, afirma que a Prefeitura de Macapá teria recorrido a documentos forjados para retirar os comerciantes de forma abrupta, mesmo após uma vistoria do Corpo de Bombeiros Militar do Estado ter descartado qualquer risco iminente de desabamento. Segundo o tenente-coronel Sanches, "o Corpo de Bombeiros refuta completamente a tese de desabamento. O imóvel precisa de reformas, mas não há risco de ruína.”

A situação ganhou contornos mais sérios com a atuação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amapá (CREA-AP), que identificou irregularidades graves no primeiro documento apresentado pela PMM. O laudo inicial carecia de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), faltava o registro profissional do engenheiro citado e uma sócia da empresa cujo nome foi utilizado chegou a registrar um Boletim de Ocorrência por falsidade ideológica, alegando que jamais produziu o documento e que o timbre da empresa havia sido falsificado.

O CREA-AP confirmou a inexistência do laudo em seus registros e autuou a empresa, enquanto a Polícia Civil abriu uma investigação sobre as denúncias. O desgaste se aprofundou quando a PMM tentou apresentar um segundo laudo, assinado pela empresa Nortica Engenharia. No entanto, o CREA-AP considerou o novo parecer praticamente idêntico ao primeiro, com apenas a troca de timbre e assinatura, resultando em nova autuação feita pelo conselho.

A ação judicial movida por Elieldo Almeida Marques, representante dos empreendedores populares, alega que a estratégia de interdição e uso de laudos falsos tem o objetivo de abrir caminho para a demolição do prédio, ignorando as recomendações técnicas oficiais, e pede a suspensão imediata de qualquer ato que vise a descaracterização do espaço.

O documento aponta que o uso deliberado do parecer falso, às vésperas do período de Natal, causa prejuízos aos permissionários e alega a possibilidade de motivação política, solicitando a nulidade total da interdição sem a devida perícia judicial. O Shopping Popular, inaugurado pelo próprio Antônio Furlan, em maio de 2021, com o propósito de oferecer dignidade a trabalhadores que antes atuavam num espaço bastante precário, agora deixa os empreendedores espalhados em pontos improvisados, acumulando perdas financeiras.

A defesa da PMM, por sua vez, foi apresentada em um vídeo nas redes sociais, onde o secretário de Obras, Cássio Cruz, lê trechos do laudo questionado pelo CREA-AP. Ele afirma que "existe risco real de colapso, e que o shopping precisa ser interditado imediatamente", alegando que a prefeitura age para garantir a segurança de todos.

Contudo, o documento citado por Cássio é o mesmo rejeitado pelo CREA-AP por irregularidades.

A atuação de Cássio Cruz também está envolta em polêmicas, pois ele foi alvo da "Operação Plattea", deflagrada pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraude na execução da obras da praça Jacy Barata, após ser delatado por um empresário da construção civil por suposto recebimento de propina.

Apesar do desgaste público, o prefeito Antônio Furlan mantém o secretário Cássio Cruz no cargo por temer que, ao exonerá-lo, ele possa se tornar um entrave às suas pretensões políticas para 2026 por Cássio ser um arquivo vivo de um suposto mega esquema de corrupção nos porões da PMM .