A mando do ex-prefeito Furlan, Caetano Bentes liderou um movimento contra o aumento salarial dos profissionais da educação

Vergonha: Caetano Bentes votou contra o aumento salarial dos Professores municipais

A mando do ex-prefeito Furlan, Caetano Bentes liderou um movimento contra o aumento salarial dos profissionais da educação

Por Redação 

 

O vereador de Macapá Caetano Bentes (Republicanos) posicionou-se contra o reajuste salarial de 15% para os servidores da Educação municipal nesta semana, durante sessão no plenário da Câmara de Vereadores, sob a justificativa de que a proposta do prefeito interino, Pedro DaLua (União), possui motivações meramente eleitorais. A postura do parlamentar, que classificou o anúncio como um "discurso político" desprovido de viabilidade técnica, reacendeu o histórico de polêmicas que marca sua trajetória pública, incluindo episódios de agressão física no legislativo, dívidas judiciais vultosas e negligência com o setor cultural da capital amapaense.

Ao questionar a medida que beneficia diretamente a categoria, Bentes sugeriu que a gestão atual estaria agindo com imprudência ao lidar com as expectativas do funcionalismo, afirmando que é necessário ter cautela ao "mexer com a vida do cidadão que faz a mola do município girar". Entretanto, a fala do vereador foi recebida com ceticismo por setores da sociedade civil e lideranças sindicais, que enxergam na resistência do parlamentar uma tentativa de blindar aliados políticos e desgastar opositores, em vez de uma preocupação genuína com a responsabilidade fiscal da prefeitura.

Essa nova frente de embate não é um fato isolado no currículo de Caetano Bentes. Para compreender a resistência atual ao aumento dos professores, é preciso observar o padrão de comportamento adotado pelo parlamentar em gestões anteriores. Quando esteve à frente da Fundação Municipal de Cultura (Fumcult) em 2023, nomeado pelo então prefeito Antônio Furlan, Bentes foi o executor de uma política de austeridade seletiva que penalizou diretamente a classe artística amapaense.

Naquele período, o atraso no pagamento dos cachês de eventos como o Macapá Verão e a Festa do Servidor tornou-se uma marca de sua administração. Artistas de renome regional, como a cantora Suellen Braga, denunciaram publicamente a desvalorização profissional e o descaso institucional. Enquanto os produtores e músicos lutavam para receber o que estava previsto em contrato, o silêncio de Bentes nos bastidores da fundação aprofundava a crise, revelando uma face administrativa que priorizava as diretrizes políticas da chefia do Executivo em detrimento do sustento de centenas de famílias que dependem da economia criativa em Macapá.

O pragmatismo político de Bentes frequentemente se manifesta através de comparações que buscam diluir responsabilidades atuais em falhas do passado. Ao atacar o aumento proposto por Pedro DaLua, o vereador não hesitou em envolver o ex-prefeito e atual governador do Estado, Clécio Luís. Em uma manobra retórica, Bentes argumentou que as críticas à sua postura deveriam considerar que, em oito anos de gestão, Clécio teria concedido apenas 8% de aumento acumulado aos servidores municipais.

Esse tipo de argumentação, centrada no ataque a figuras de gestões anteriores, é uma ferramenta recorrente no discurso do parlamentar para desviar o foco de questões urgentes, como a necessidade de recomposição salarial de uma categoria que enfrenta defasagem inflacionária há anos. A estratégia de "tergiversar", como apontado por observadores da política local, parece ser o escudo principal do vereador quando confrontado com decisões que impactam o bolso do servidor público.

Para além das questões administrativas e orçamentárias, a figura de Caetano Bentes é indissociável de episódios de violência e processos judiciais que questionam sua ética parlamentar. Há sete anos, o plenário da Câmara Municipal de Macapá foi palco de uma cena deplorável protagonizada pelo vereador. Durante a eleição para a presidência da Casa, o que deveria ser um rito democrático transformou-se em uma pancadaria generalizada. O conflito, que envolveu o então vereador Yuri Pelaes e o próprio Bentes, exigiu a intervenção enérgica da Polícia Militar e da Guarda Municipal para conter os ânimos.

O episódio não apenas manchou a imagem do legislativo macapaense, como também expôs o temperamento iracundo de um representante eleito que, diante de divergências regimentais e políticas, optou pelo confronto físico em vez do diálogo institucional. Mesmo após a confusão, a sessão foi retomada sob protestos de ilegalidade, culminando em uma eleição conturbada que ainda hoje é lembrada como um dos pontos mais baixos da história política recente da cidade.

No campo jurídico, o patrimônio e a conduta financeira de Bentes também foram alvo de rigoroso escrutínio. Um dos casos mais graves envolveu a acusação de recebimento de valores expressivos de empresas do setor de transportes públicos, verbas que teriam sido utilizadas para financiar sua carreira política. O caso avançou na Justiça até o ponto em que Bentes foi condenado a pagar uma dívida de mais de 328 mil reais a um empresário local.

O montante, referente a um "empréstimo" realizado em 2018 — época em que o parlamentar integrava a Comissão de Transportes da Câmara —, nunca foi quitado voluntariamente, levando o Judiciário a determinar o bloqueio de suas contas e bens. A tentativa de contestar a dívida foi frustrada nos tribunais, evidenciando uma relação perigosa entre o exercício do mandato e interesses privados do setor rodoviário, uma área sensível que afeta diariamente a vida de milhares de munícipes que dependem do transporte coletivo.

A oposição de Caetano Bentes ao reajuste dos educadores não surge no vácuo. Ela é o capítulo mais recente de uma biografia política escrita entre o conflito direto e a defesa de interesses que nem sempre coincidem com os anseios da população. Enquanto o debate sobre os 15% de aumento segue nos corredores da Câmara, a sociedade macapaense assiste a um jogo pesado onde o servidor público parece ser a peça mais vulnerável.

A postura sub-reptícia do vereador, como descrevem seus críticos, coloca em xeque a função primordial do legislador: a de promover o bem-estar social e a justiça administrativa. Ao desqualificar uma proposta de valorização salarial como mero artifício eleitoral, Bentes ignora a realidade das salas de aula e reforça sua imagem de político controverso, cuja atuação é pautada muito mais pelas conveniências do poder do que pelo compromisso com o serviço público de qualidade.