Escândalo: Na UBS do Perpétuo Socorro, gestão Furlan mantinha quase 500 servidores fantasmas na folha, denuncia a atual secretária de Saúde de Macapá, Renilda Costa
Por Redação
A secretária de Saúde de Macapá, Renilda Nascimento da Costa, revelou na quarta-feira, 6 de maio, durante entrevista a um podcast local, a descoberta de 452 supostos "servidores fantasmas" na rede municipal de saúde, identificados após uma auditoria presencial que confrontou as folhas de pagamento com a realidade das unidades. O levantamento, realizado em conjunto com o prefeito em exercício, Pedro da Lua (União), e as secretárias Beth e Karen, expôs um abismo entre o quadro de funcionários oficial e o contingente que efetivamente presta serviço à população, motivando uma força-tarefa imediata para estancar o pagamento de salários irregulares e reorganizar a gestão da pasta.
O impacto da revelação sacudiu a opinião pública da capital amapaense pela magnitude dos números em uma única área. O alerta inicial soou durante uma visita técnica à Unidade de Saúde do Perpétuo Socorro, onde a titular da Semsa se deparou com uma lista de 452 nomes lotados exclusivamente naquele posto. A estranheza com o volume de pessoal para o porte da unidade levou a administração a cruzar os dados dos cartões de ponto que chegavam à secretaria central. O resultado foi alarmante: centenas de servidores constavam no sistema, mas seus registros de frequência simplesmente não existiam ou não eram encaminhados há meses, indicando uma falha sistêmica ou um esquema de omissão deliberada.
Adotando um tom de indignação e transparência, Renilda Costa detalhou que a investigação, embora ainda em fase de consolidação, já aponta para uma prática que pode estar sangrando os cofres públicos há considerável tempo. A secretária questionou publicamente se a ausência desses profissionais seria fruto de um erro crônico no fluxo administrativo ou uma estratégia de ocultação. Nos bastidores da prefeitura, a suspeita é que a estrutura da saúde tenha sido utilizada para abrigar apadrinhados políticos que recebiam proventos sem jamais terem pisado em uma unidade básica de saúde (UBS) ou hospital municipal.
A metodologia da apuração seguiu a linha da "checagem de chão de fábrica". A força-tarefa visitou os locais de trabalho e conversou diretamente com os diretores de cada unidade. O relato desses gestores locais foi o golpe final na tese de "erro administrativo": em diversos casos, os diretores afirmaram desconhecer os nomes apresentados e confirmaram que tais indivíduos nunca foram vistos cumprindo carga horária. Muitos desses gestores, inclusive, solicitaram formalmente o desligamento imediato dos funcionários inexistentes, reiterando que o excesso de nomes no papel contrastava com a escassez real de pessoal para o atendimento aos pacientes.
O foco atual da auditoria concentra-se nos últimos 60 dias, período em que a ausência dos registros de ponto tornou-se mais evidente para a nova gestão. Para evitar injustiças com servidores que possam estar enfrentando problemas burocráticos legítimos, a Semsa estabeleceu o dia 20 como o prazo limite para a regularização. Aqueles que possuírem justificativas legais ou que tenham sido vítimas de falhas no envio de dados terão a oportunidade de comprovar sua atividade por meio das diretorias das unidades. No entanto, o rigor será mantido para os casos onde o vínculo é puramente nominal.
Esta medida de moralização administrativa ocorre em um momento de asfixia financeira e crise na previdência municipal, conforme denunciado pelo prefeito em exercício. A identificação e o corte desses 452 nomes representam não apenas uma economia direta para o erário, mas uma tentativa de resgatar a eficiência do atendimento público. Para a gestão Pedro da Lua, o saneamento da folha de pagamento da saúde é o primeiro passo de uma reforma mais ampla, que busca garantir que cada centavo de imposto pago pelo cidadão macapaense seja destinado a quem, de fato, trabalha na linha de frente do cuidado com a vida.



