Secretária de Saúde afastada é sócia da ex-esposa de Furlan que recebeu R$ 100 mil de empreiteiro da obra investigada pela PF

Secretária de Saúde afastada é sócia da ex-esposa de Furlan que recebeu R$ 100 mil de empreiteiro da obra investigada pela PF

Por Redação 

 

O aprofundamento das investigações da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal (PF) sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou um elo societário que coloca a cúpula da Saúde de Macapá no centro de um sofisticado esquema de suposto desvio de recursos público do setor.

 

A ex-secretária municipal de Saúde, Erica Aymoré, afastada do cargo por decisão judicial, é sócia da médica Isabella Favacho, ex-esposa do prefeito afastado Dr. Furlan (PSD), na Clínica de Imunização do Amapá (CLIAP), localizada no Centro de Macapá.

 

O vínculo ganha contornos criminais após a PF identificar que Isabella recebeu uma transferência de R$ 100 mil de um dos sócios da Santa Rita Engenharia, empresa beneficiada com um contrato de R$ 69,3 milhões homologado pela própria Erica Aymoré.

A conexão entre as investigadas é a CLIAP, que funciona na sala 03 do edifício situado na Rua Leopoldo Machado, 1808, o mesmo endereço onde está sediado o Laboratório Dr. Paulo Albuquerque, de propriedade do suplente do senador Lucas Barreto (PSD) – parlamentar responsável pelo envio de emendas federais para a construção do Hospital Geral Municipal, obra que motiva as investigações.

 

Para os investigadores, a trama tinha papeis bem definidos: o senador destinava o recurso, a secretária Erica Aymoré gerenciava a licitação, os empreiteiros vencedores do certame faziam os saques e depósitos para beneficiários ligados diretamente ao núcleo de Furlan.

 

Licitação simulada

A perícia da Polícia Federal (Laudo nº 635/2025) classificou a licitação do Hospital Geral Municipal como um "simulacro de competição". O documento aponta que a proposta apresentada pela Santa Rita Engenharia possuía 117 composições de custo unitário absolutamente idênticas ao orçamento sigiloso elaborado internamente pela prefeitura.

 

A investigação concluiu que Erica Aymoré, ao homologar o certame em maio de 2024, ignorou evidências de direcionamento e cláusulas restritivas no edital que serviram para afastar competidores reais, garantindo que a obra de quase R$ 70 milhões ficasse com o grupo investigado.

 

O rastreio financeiro da PF identificou um padrão de "limpeza" de capital logo após os repasses da prefeitura para a conta da empreiteira: 42 saques vultuosos. Rodrigo Moreira, sócio da Santa Rita, realizou retiradas frequentes aos repasses em espécie que somaram R$ 7,4 milhões.

 

Em um dos monitoramentos mais emblemáticos flagrados pelos investigadores, Rodrigo sacou R$ 400 mil, levou o montante até o prédio do laboratório do suplente de senador e entregou a uma terceira pessoa, que embarcou com a mochila em um Fiat Cronos branco registrado no nome do prefeito Antônio Furlan.

 

O veículo era conduzido por Jerqueson Rodrigues, motorista pessoal de Furlan. Na casa de Jerqueson, a PF encontrou anotações de depósitos fracionados que superam R$ 3 milhões, destinados a empresas da atual esposa do prefeito, Rayssa Furlan, e ao seu instituto médico.

 

Erica Aymoré permanece afastada de suas funções públicas. Furlan renunciou e se declarou pré-candidato ao governo do estado.

 

Os supostos crimes de Erica

De acordo com a representação policial e a decisão do STF na Operação Paroxismo, a ex-secretária é investigada pela prática de um conjunto de crimes: fraude à licitação, peculato (desvio de recursos) e corrupção passiva (a PF investiga se a transferência de R$ 100 mil feita pelo empreiteiro para a conta de sua sócia, Isabella Favacho, configura "pagamento de propina por meios indiretos", uma vez que ambas dividem a propriedade da clínica CLIAP).