Federal do Prefeito Furlan, Vinícius Gurgel é alvo de operação da Polícia Federal

Federal do Prefeito Furlan, Vinícius Gurgel é alvo de operação da Polícia Federal

Por Redação 

 

Polícia Federal cumpriu na tarde de sexta-feira, 13, mandado de busca e apreensão na residência do deputado federal Vinicius Gurgel (PL-AP) e na sede regional de seu partido, em Macapá. A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), coloca novamente sob os holofotes um dos parlamentares mais controversos da bancada amapaense, agora em uma investigação que apura supostas irregularidades na aplicação de recursos federais destinados a obras públicas e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).


Agentes federais estiveram no imóvel do parlamentar localizado no cruzamento da avenida Mendonça Júnior com a rua Jovino Dinoá, na região central da capital. Paralelamente, outra equipe realizou buscas na sede do PL. Embora a Polícia Federal ainda não tenha detalhado o objeto específico das apreensões, o inquérito no STF apura indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A suspeita principal recai sobre um suposto esquema de propinas e direcionamento de licitações para manutenção de rodovias federais no estado, como a BR-156.
Gurgel, que recentemente selou uma aliança política com o prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), tem sua trajetória marcada por episódios que flertam com o inverossímil. Em 2016, ele ganhou as manchetes nacionais após peritos constatarem que a assinatura em sua carta de renúncia ao Conselho de Ética da Câmara — apresentada em um momento crucial para o então presidente da Casa, Eduardo Cunha — era uma "falsificação grosseira". Na ocasião, o deputado alegou que a divergência na caligrafia ocorreu porque ele havia assinado o documento sob efeito de álcool e medicamentos de tarja preta.
A proximidade com o prefeito Antônio Furlan, que também é alvo de investigações da PF por supostas fraudes na construção do Hospital Municipal de Macapá, reforça a percepção de um grupo político cercado por pressões judiciais. Gurgel, conhecido como um dos "campeões do cotão" por seus gastos vultosos com aluguel de veículos e embarcações pagos com dinheiro público, agora precisa explicar sua influência em órgãos federais. O inquérito do STF aponta que ex-dirigentes do Dnit no Amapá, investigados por desvios milionários, teriam ligações estreitas com o gabinete do parlamentar.
O silêncio do deputado diante da nova incursão policial em seu endereço residencial contrasta com a desenvoltura habitual de quem, em 2010, afirmou durante a campanha que um político "só precisava saber contar dinheiro". Com o avançar das investigações sob a tutela da Suprema Corte, a capacidade de Gurgel de manobrar politicamente entre alianças locais e processos federais enfrenta seu maior teste. Até o fechamento desta edição, nem a defesa do parlamentar nem o diretório do PL haviam se manifestado sobre a operação.

O Impacto político no chamado "Cinturão de Furlan"

A operação da Polícia Federal contra o deputado federal Vinicius Gurgel (PL) não é um evento isolado, mas o ápice de uma pressão judicial que vem cercando o grupo político do prefeito Antônio Furlan. Como Gurgel é um dos principais articuladores de recursos federais para o município — através das polêmicas "emendas Pix" e verbas do Dnit —, a batida policial na sede do PL e em sua residência abala a estrutura de sustentação da gestão municipal por três frentes principais:

1. Desidratação de recursos e emendas
Gurgel tem sido o "braço financeiro" da prefeitura em Brasília. Com o inquérito avançando sobre a aplicação de recursos em obras públicas de Macapá, há um risco real de paralisia ou suspensão de repasses federais. O STF já demonstrou rigor com as emendas sem transparência, e qualquer prova de desvio encontrada nas buscas desta sexta-feira pode travar o canteiro de obras que serve como vitrine eleitoral para Furlan.

2. Contágio de imagem e o "discurso da ética"
Embora Furlan mantenha altos índices de aprovação, a conexão direta com um parlamentar alvo de mandados judiciais oferece munição para a oposição. O histórico de Gurgel — que inclui a famosa "assinatura falsa por embriaguez" e o título de "campeão do cotão" — torna-se um fardo pesado. Em um cenário eleitoral, a associação entre o "prefeito que faz" e o "parlamentar investigado" pode desgastar o capital político da primeira-dama, dra. Rayssa Furlan, em futuras disputas majoritárias, a exemplo das pretensões dela numa hipotética pré-candidatura ao Senado.

3. Fragilização da base parlamentar
A diligência na sede do Partido Liberal (PL) em Macapá sinaliza que a investigação não mira apenas o deputado, mas a engrenagem partidária. Isso gera um "efeito resfriamento" em outros aliados: vereadores e lideranças locais podem começar a se distanciar da cúpula comandada por Antônio Furlan para evitar serem tragados por novos desdobramentos da PF, especialmente em inquéritos que correm sob sigilo no STF.

A trajetória de controvérsias de Vinicius Gurgel
Abaixo, os marcos que definem o perfil do parlamentar agora investigado pela suposta malversação de verbas em Macapá:
2013: O "Campeão do Cotão" – Gurgel é identificado como o parlamentar que mais gastou com aluguel de veículos e barcos no Brasil, alegando dificuldades logísticas no Amapá.
2014: Visitas a Valdemar Costa Neto – Flagrado em reuniões com o então preso do mensalão, discutindo estratégias partidárias dentro de um restaurante onde o líder do PL cumpria regime semiaberto.
2016: A Fraude da assinatura – Perícia da PF confirma assinatura falsa em sua renúncia ao Conselho de Ética. O deputado alega que o traço mudou por estar sob efeito de "remédios e álcool".
2022-2024: Inquérito do Dnit e BR-156 – Entra na mira do STF (Ministro Alexandre de Moraes) por suposto esquema de propinas e direcionamento de licitações em rodovias federais.
2025: Suspensão de Emendas Pix – Citado em relatórios que levaram o STF a suspender repasses para Macapá devido à falta de transparência em obras de praças e parques.
13 de Fev. 2026: Operação em Macapá – Busca e apreensão em sua residência e no diretório do PL para apurar desvios em obras públicas municipais e federais.