Falta de respeito com os santanenses: empresário Alan Tratalyx deixa as ruas e avenidas de Santana no caos total não recolhendo os lixos

Alan Tratalyx é o empresário responsável pela coleta do lixo em Santana

Falta de respeito com os santanenses:  empresário Alan Tratalyx deixa as ruas e avenidas de Santana no caos total não recolhendo os lixos

Por Redação 

 

Em Santana, município a 21 quilômetros da capital amapaense, o odor do descaso tem se tornado vizinho onipresente de cerca de 125 mil habitantes. Nos últimos meses, o que deveria ser uma rotina invisível de manutenção urbana transformou-se em um cenário de montanhas de detritos acumulados em esquinas e calçadas. No centro do imbróglio está a Tratalyx Serviços Ambientais do Brasil Ltda., empresa responsável pela limpeza urbana e coleta de resíduos, cujo sócio majoritário, o empresário Alan do Socorro Sousa Cavalcante — conhecido nos círculos empresariais e políticos como Alan Tratalyx —, vê seu império financeiro crescer na mesma proporção em que o lixo se amontoa na periferia santanense.

O escritório central da companhia, localizado na Avenida Benedito Costa, na comunidade do Coração, em Macapá, parece distante da realidade enfrentada pelos moradores dos bairros mais afastados do centro comercial de Santana. Relatos colhidos por lideranças populares apontam que a coleta foi interrompida ou sofreu atrasos drásticos nas últimas três semanas. O resultado é uma cidade entulhada, onde o compromisso contratual firmado com a prefeitura municipal parece ter se tornado uma peça de ficção. Enquanto o contrato milionário segue abastecendo os cofres da empresa, o serviço, essencial para a saúde pública, é executado de forma intermitente ou simplesmente ignorado.

Fontes próximas à administração municipal, que falaram sob condição de anonimato temendo retaliações, indicam que a ausência de fiscalização rigorosa por parte do poder público tem permitido que a Tratalyx opere em um vácuo de responsabilidade. "O dinheiro sai, mas o caminhão não passa", resume uma liderança comunitária que atua na zona periférica de Santana. A revolta da população é alimentada pelo silêncio do empresário. Até o momento, Alan Tratalyx não emitiu explicações oficiais sobre a suspensão dos serviços ou sobre o cronograma de normalização da coleta, deixando os munícipes à mercê de possíveis surtos de doenças e da proliferação de vetores atraídos pelos resíduos orgânicos em decomposição.

No entanto, o silêncio operacional contrasta com uma movimentação intensa nos porões da política amapaense. Informações de bastidores sugerem que a fortuna acumulada por meio dos contratos públicos está servindo de base para um projeto ambicioso de ascensão ao Legislativo. Alan Tratalyx estaria pavimentando o terreno para disputar uma cadeira de deputado federal nas eleições gerais deste ano. O projeto familiar de poder não para por aí: há planos concretos para lançar sua esposa, a também empresária Kinovak Cavalcante, como candidata à Assembleia Legislativa do Amapá.

Essa transição do pátio de manobras de caminhões de lixo para os palanques eleitorais levanta questionamentos éticos sobre o uso de recursos oriundos de concessões públicas. Críticos apontam que a "irresponsabilidade administrativa" na gestão do lixo urbano pode ser um reflexo do desvio de foco do empresário, mais interessado na viabilidade de sua futura campanha do que no cumprimento de cláusulas contratuais básicas. Para a população de Santana, a sensação é de que o município tornou-se um mero degrau financeiro para as aspirações políticas de um grupo que, na prática, falha em entregar o serviço mais elementar de cidadania.

A ausência de compromisso social citada por denunciantes ganha contornos mais graves quando se observa a disparidade entre o crescimento patrimonial de Cavalcante e a precariedade das ruas santanenses. Santana, que historicamente enfrenta desafios de infraestrutura e saneamento, vê-se agora refém de um contrato que parece beneficiar apenas um dos lados. A prefeitura de Santana, por sua vez, encontra-se sob pressão para explicar por que os repasses continuam sendo efetuados a uma empresa que, flagrantemente, deixou de realizar o trabalho de recolhimento urbano.

Enquanto as articulações políticas avançam e os nomes de Alan e Kinovak Cavalcante começam a circular em listas de prováveis candidatos, o entulho nos bairros periféricos serve como um monumento incômodo à gestão privada de serviços públicos no estado. A reportagem tentou contato com a Tratalyx Serviços Ambientais para obter um posicionamento sobre as denúncias de interrupção da coleta e sobre as pretensões eleitorais de seu sócio majoritário, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

O desfecho dessa crise sanitária e política permanece incerto, mas o termômetro das ruas indica que a paciência do eleitorado santanense está se esgotando. Se o lixo continuar a se acumular nas portas das casas, o projeto político desenhado na Avenida Benedito Costa poderá encontrar uma barreira intransponível na urna: o julgamento de uma população que exige, antes de qualquer promessa de campanha, o direito básico de viver em uma cidade limpa.