Acabou o poder, acabou o amor: Vereadoras Luana Serrão e Maraína Martins abandonam Furlan e Mário Neto

Traição de Luana Serrão e Maraína Martins deixam Mário Neto caminhar para o Impeachment

Acabou o poder, acabou o amor: Vereadoras Luana Serrão e Maraína Martins abandonam Furlan e Mário Neto

Por Redação

 

O cenário político de Macapá assiste, nos últimos dias, a um movimento de distanciamento que redesenha as alianças na Câmara Municipal. As vereadoras Maraína Martins (Rede) e Luana Serrão (União), outrora identificadas pela opinião pública e por seus pares como integrantes da linha de frente do apoio ao ex-prefeito Antônio Furlan (PSD), vêm reduzindo drasticamente a interlocução e a defesa pública do antigo aliado. O movimento ocorre em meio ao acirramento das investigações sobre supostos desvios na construção do Hospital Municipal de Macapá, que culminaram no afastamento de Furlan do cargo por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O afastamento, somado às suspeitas de corrupção, parece ter erguido um cordão sanitário em torno do ex-gestor, cujas aliadas mais próximas agora evitam qualquer associação com sua figura política.

A mudança de postura é drástica se comparada ao histórico recente. No Palácio Laurindo Banha, sede do Executivo municipal, a presença de Maraína e Luana era constante. As parlamentares circulavam com desenvoltura pelo gabinete do prefeito, atuando como articuladoras de projetos de interesse da gestão e defendendo, com vigor, as pautas bolsonaristas que marcaram o mandato de Furlan. Hoje, o cenário é de silêncio e evasivas. Nos corredores da Câmara de Macapá, o comentário geral é de que a lealdade, que antes parecia inabalável, dissipou-se assim que o peso das investigações e a caneta do STF alteraram a correlação de forças na capital amapaense.

O comportamento das vereadoras é lido por analistas e colegas de parlamento como um pragmatismo de sobrevivência política, mas, nos bastidores, o tom é mais ácido. Funcionários do Legislativo e outros vereadores relatam, sob reserva, que a velocidade com que as parlamentares "viraram as costas" para o ex-patrão político surpreendeu até mesmo os veteranos da política local. A imagem de Furlan, agora desgastada por denúncias de um esquema de corrupção que envolveria cifras milionárias de recursos públicos, tornou-se um passivo que Maraína e Luana parecem não estar dispostas a carregar. A proximidade que antes conferia prestígio e acesso a verbas agora é tratada como um risco reputacional imediato.

Nas sessões plenárias, a ausência de discursos em defesa do ex-prefeito é notória. Se antes qualquer crítica à gestão municipal era prontamente rebatida pelas duas vereadoras, o que se vê agora é uma neutralidade estratégica. O isolamento de Antônio Furlan é acentuado pela natureza das acusações. O processo que tramita no STF detalha irregularidades que ferem a sensibilidade do eleitorado, especialmente por envolverem a área da saúde e a construção de uma unidade hospitalar aguardada pela população. Nesse contexto, o custo político de manter o apoio intransigente tornou-se proibitivo.

A dinâmica observada na Câmara de Macapá reflete uma prática comum em períodos de crise institucional: o desembarque em massa de aliados quando o centro do poder é atingido pelo Judiciário. Entretanto, no caso de Maraína e Luana, o componente humano da "ingratidão" ganha contornos mais nítidos devido à estreita ligação pessoal e política que mantinham com o ex-gestor. O afastamento não é apenas uma manobra de sobrevivência política, mas uma mudança de postura física e discursiva. O "desaparecimento" das parlamentares do entorno de Furlan é comparado, por opositores, a uma fuga deliberada, como se a convivência política com o ex-prefeito pudesse transmitir o desgaste de sua situação jurídica.

Enquanto as investigações avançam e a defesa de Antônio Furlan tenta reverter o afastamento nas instâncias superiores, o isolamento político em sua base de origem se consolida. O Palácio Laurindo Banha, que já foi o epicentro de uma gestão que se pretendia sólida e duradoura, hoje assiste ao vácuo deixado por aqueles que, até pouco tempo, eram seus pilares. A história política de Macapá ganha, assim, um novo capítulo sobre a volatilidade das alianças frente ao rigor da lei e ao instinto de preservação dos mandatos parlamentares. Maraína Martins e Luana Serrão, ao recalibrarem suas rotas, deixam claro que, na política amapaense, o apoio de ontem raramente resiste às tempestades jurídicas de amanhã.