Irresponsável: Furlan faz de tudo para aparecer e ganhar engajamento nas redes sociais

Irresponsável: Furlan faz de tudo para aparecer e ganhar engajamento nas redes sociais

Por Redação 

 

Do personagem ao crime real: qual o limite para chamar a atenção?

 

Na política contemporânea, governar deixou de ser apenas administrar. Para muitos, é também performar. Criar um personagem, gerar engajamento, render vídeo. O problema começa quando o roteiro exige descumprir a lei e o palco escolhido é a via pública.

O episódio em que o prefeito de Macapá aparece realizando manobra de “grau”, sem capacete, em plena rua, não é um detalhe folclórico. É um sintoma, pois um gestor que assume conscientemente o papel de personagem está disposto a ir até onde para manter a atenção sobre si?

A discussão não é moralista. É institucional. O prefeito não foi eleito para ser um influenciador digital. Ele é a autoridade máxima do município, responsável por fazer cumprir o Código de Trânsito, por orientar políticas de segurança viária e por responder politicamente e juridicamente, quando essas políticas falham. Quando essa mesma autoridade decide ignorar regras básicas, o gesto deixa de ser irreverência e passa a ser mensagem pública.

Enquanto jovens têm motos apreendidas, são multados e processados por manobra perigosa, o chefe do Executivo transforma a infração em espetáculo. O que deveria ser combatido vira conteúdo. O que deveria ser exceção vira normalidade. O que deveria ser lei vira acessório descartável de um ridículo personagem.

Isso não é coragem política, mas é irresponsabilidade comunicacional. O poder público funciona, em grande parte, pelo efeito pedagógico do exemplo. Quando o exemplo vem de cima e é ruim, a base desmorona. Nenhuma campanha educativa sobre trânsito resiste a um vídeo desses. Nenhum discurso sobre segurança se sustenta diante da imagem do próprio prefeito fazendo exatamente o que seus agentes reprimem.

Há uma linha clara entre carisma e abuso simbólico do cargo. Quando o gestor se coloca acima da regra para “se conectar” com o público, ele cria um precedente perigoso: o de que a lei é flexível conforme quem a infringe.

Hoje é uma manobra sem capacete. Amanhã, o que mais pode virar conteúdo? É aqui que a pergunta do título se impõe, sem exagero: qual é o limite? Até onde vale ir para manter a persona popular, o personagem próximo, o gestor “gente como a gente”? Quando a busca por atenção começa a flertar com o ilícito, o custo deixa de ser político e passa a ser institucional.

Governar não é performar e a cidade não precisa de personagem. Precisa de autoridade responsável. Não se espera de um prefeito frieza ou distanciamento, mas coerência. Coerência entre discurso e prática. Entre a lei sancionada e a lei respeitada. Entre o que se cobra do cidadão e o que se faz diante das câmeras.

Porque quando o gestor escolhe o espetáculo em vez da responsabilidade, ele não apenas empina uma moto. Ele empina e coloca em risco a própria credibilidade do cargo que ocupa. E, nesse caso, quem corre mais risco não é o personagem, mas a cidade inteira.