Prefeito Dalua entrega à PF relatório que aponta milícia digital de Furlan
Por Redação
O prefeito em exercício de Macapá, Pedro DaLua (União), entregou ao superintendente da Polícia Federal no Amapá, Milton Rodrigues Neves, um conjunto de documentos que detalha o que a nova gestão da Prefeitura de Macapá descreve como a estrutura de uma "milícia digital" financiada com recursos públicos. O material aponta para um esquema de repasses financeiros a comunicadores e agências com o objetivo de orquestrar ataques sistemáticos contra adversários políticos do ex-prefeito bolsonarista Antônio Furlan (PSD), e membros do Poder Judiciário. A ofensiva documental marca um novo capítulo na crise institucional que se instalou na capital amapaense após o afastamento de Antônio Furlan e de seu vice, Mário Neto, no âmbito da Operação Paroxismo.
O encontro na sede da PF não foi apenas protocolar. DaLua compareceu acompanhado por técnicos do Gabinete de Emergência Administrativa e Financeira, uma estrutura criada às pressas para realizar uma varredura em contratos e atos da gestão anterior. O foco central da auditoria é entender como o fluxo de caixa do município foi operado nos momentos que antecederam e sucederam as ordens judiciais de afastamento. Entre os achados preliminares que mais chamaram a atenção dos investigadores está um pagamento realizado no dia 4 de março — precisamente a data em que a PF deflagrou a operação que retirou Furlan do cargo. Segundo os dados levados à polícia, a agência de publicidade M2 teria efetuado repasses de aproximadamente R$ 500 mil a uma rede de agenciados e prestadores de serviço na área de comunicação.
A suspeita da atual administração é que essa movimentação financeira não tenha seguido os trâmites normais da burocracia pública, mas que tenha sido uma tentativa de garantir a manutenção de uma rede de influência digital em um momento de vulnerabilidade jurídica. O relatório entregue à PF sugere que esses profissionais da comunicação atuavam de forma coordenada para desqualificar decisões judiciais e atacar a imagem de opositores que denunciavam supostos atos de improbidade. A estratégia, de acordo com o relato do prefeito em exercício, consistia no uso deliberado de verba publicitária para a propagação de narrativas agressivas, mimetizando o funcionamento de milícias digitais já investigadas em instâncias superiores da justiça brasileira.
Para além do setor de comunicação, o Gabinete de Emergência iniciou uma série de perícias técnicas em contratos de diversas secretarias. O objetivo é identificar se pagamentos foram autorizados e executados mesmo após o afastamento oficial das autoridades investigadas, o que poderia configurar crime de desobediência e nova frente de peculato. O clima na prefeitura é de devassa administrativa. Pedro DaLua tem reforçado, em pronunciamentos e coletivas, que a revisão de contratos é necessária para estancar possíveis drenagens de recursos federais, especialmente emendas parlamentares, que estão no centro do inquérito da Operação Paroxismo.
A defesa do ex-prefeito Antônio Furlan e os representantes da agência M2 ainda não se manifestaram detalhadamente sobre as novas acusações, mas em momentos anteriores negaram qualquer irregularidade, classificando as investigações como "motivação política". No entanto, o volume de documentos apresentados à PF amplia a pressão sobre o grupo político afastado.
A Polícia Federal agora deve cruzar os dados fornecidos pela PMM com as quebras de sigilo bancário e fiscal já autorizadas pela justiça. O material inclui planilhas de pagamentos, cópias de notas fiscais e capturas de tela que ligariam os repasses financeiros à produção de conteúdos específicos nas redes sociais.
As investigações da PF em Macapá inserem-se em um contexto de apurações sobre o uso de estruturas criminosas de comunicação institucional em ambientes digitais no âmbito municipal. Caso as perícias confirmem o desvio de finalidade nos pagamentos, o processo poderá resultar em ordens de prisão e na abertura de ações por crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Atualmente, técnicos analisam arquivos digitais da Secretaria de Finanças enquanto a administração em exercício realiza a revisão de contratos firmados pela gestão anterior. Os dados compilados pelo Gabinete de Emergência serão encaminhados ao Ministério Público Federal, a quem caberá avaliar a existência de danos ao erário e a eventual responsabilidade direta dos agentes políticos envolvidos na gestão das verbas de comunicação da Prefeitura de Macapá.



