Sessão para antecipar eleição da Mesa Diretora da Câmara, convocada por Marcelo Dias, fracassa por falta de quórum

Sessão para antecipar eleição da Mesa Diretora da Câmara, convocada por Marcelo Dias,  fracassa por falta de quórum

 

_Tentativa de antecipar a eleição da Mesa Diretora terminou sem votação após despacho da Presidência; vereador Cláudio Góes deixou o plenário e defendeu respeito aos ritos legais. Integrante da equipe de transição de Furlan, Diego santos, é acusado de agredir servidora._

A tentativa de um grupo de vereadores de anular o Edital nº 002/2026-MD-CMM e antecipar a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Macapá terminou sem quórum para o prosseguimento da sessão, nesta sexta-feira (9). O episódio aprofundou o impasse político em torno da eleição para o biênio 2027/2028, cujo calendário foi mantido pela Presidência da Casa, com votação prevista para 30 de dezembro.

A sessão extraordinária havia sido convocada por 12 vereadores, por meio do Ato nº 001/2026-CMM, com o objetivo de deliberar sobre a validade do edital que transferiu a eleição para dezembro. Os parlamentares chegaram a entrar no plenário e iniciar os trabalhos, mas foram informados do Despacho Decisório nº 01/2026-GP/CMM, pelo qual a Presidência indeferiu o pedido de convocação.

A decisão apontou o descumprimento do prazo mínimo de 24 horas previsto no artigo 173 do Regimento Interno, além de destacar a competência institucional da Presidência para coordenar os procedimentos eleitorais e a permanência da validade do edital enquanto não houver decisão que determine sua suspensão ou anulação.
Após tomar conhecimento do despacho, o vereador Cláudio Góes (Solidariedade) deixou o plenário. Sem quórum para dar continuidade à sessão, a iniciativa não avançou.

_Cláudio Góes defende legalidade e pacificação_
O vereador afirmou que poderia até concordar com a antecipação da eleição, desde que fossem respeitados todos os procedimentos legais e regimentais, evitando questionamentos futuros capazes de transformar a disputa política em uma prolongada batalha judicial. “Se o momento é de pacificação, não dá para começar dessa forma conflituosa com nossos pares”, afirmou Cláudio Góes.

A manifestação evidencia o desafio imposto aos parlamentares: encontrar uma solução política para a disputa sem comprometer a segurança jurídica do processo eleitoral interno. Afinal, uma eleição marcada por questionamentos sobre o cumprimento das normas pode abrir espaço para novas controvérsias judiciais e colocar em xeque a estabilidade institucional da Casa.

_Integrantes da transição de Furlan estavam presentes_
O episódio também chamou atenção pela presença de integrantes do gabinete de transição do candidato eleito Antonio Furlan no ambiente da Câmara. Entre eles estava Diego Santos, ex-secretário de Comunicação de Furlan.

Segundo o relato apresentado, Diego Santos entrou na sala de transmissão e teria agredido uma servidora que filmava sua entrada. A funcionária registrou boletim de ocorrência para formalizar o episódio, que deverá ser apurado pelas autoridades competentes. A presença de integrantes da equipe de transição em meio à disputa pelo comando do Legislativo acrescentou um componente político ao episódio.

_Eleição permanece marcada para dezembro_
Com o indeferimento do pedido de sessão extraordinária, a Mesa Diretora mantém o calendário estabelecido pelo Edital nº 002/2026-MD-CMM. As inscrições das chapas estão previstas para 29 de dezembro, das 8h às 14h, e a eleição ocorrerá no dia 30, às 10h, em reunião extraordinária.

A Presidência sustenta que o cronograma observa os parâmetros legais e a decisão do Tribunal de Justiça do Amapá, que admitiu a realização da eleição no período de outubro a dezembro de 2026.