Com um desempenho pífio em todas as pesquisas ao Senado, Acácio Favacho promete investimentos de R$ 1 bilhão

O desespero por votos faz com que Acácio Favacho minta descaradamente sobre investimentos de R$ 1 bilhão

Com um desempenho pífio em todas as pesquisas ao Senado, Acácio Favacho promete investimentos de R$ 1 bilhão

Por Redação 

 

 

Em uma manobra que desafia tanto a gravidade orçamentária quanto o ceticismo crônico das bases eleitorais, o deputado federal Acácio Favacho (MDB-AP) anunciou recentemente ter articulado o aporte de R$ 1 bilhão em investimentos para o Amapá. A cifra, de magnitude raramente vista para um único parlamentar no varejo das emendas e convênios, ecoou nos corredores de Brasília e nas redes sociais com a força de um evento sísmico. No entanto, para além do brilho dos nove zeros, o anúncio foi recebido por observadores políticos e técnicos da economia com uma dose cavalar de cautela, soando mais como uma narrativa de realismo fantástico do que como uma planilha técnica do Ministério do Planejamento.

Nos bastidores da política amapaense, o entusiasmo protocolar de prefeitos e aliados deu lugar a questionamentos sobre a viabilidade logística e financeira de tal montante. A reunião entre o parlamentar e lideranças estaduais, que serviu de palco para a divulgação, pintou um estado em plena metamorfose: um canteiro de obras onipresente onde saneamento, saúde e habitação finalmente deixariam de ser gargalos históricos para se tornarem vitrines de eficiência. Contudo, a lógica do Orçamento da União, tradicionalmente engessada e disputada por 513 deputados e 81 senadores, raramente permite que um único "padrinho" político reivindique a paternidade de um bilhão de reais sem que isso levante sobrancelhas nos órgãos de controle.

O plano de Favacho detalha que a fatia mais generosa, cerca de R$ 130 milhões, será destinada ao saneamento básico — área em que o Amapá ainda patina para universalizar o abastecimento de água e o tratamento de esgoto. Enquanto a Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) convive com crises operacionais e racionamentos, o deputado projeta um horizonte onde o esgoto tratado flui com a mesma facilidade de seu discurso. A dissonância entre a precariedade atual e a promessa de vanguarda tecnológica gera um hiato de credibilidade que o parlamentar tenta preencher com agendas constantes junto a ministros e diretores de autarquias federais.

No setor da saúde, a promessa soa ainda mais audaciosa: o deputado cita a articulação de mais de 500 unidades de saúde que já estariam em estágio avançado de prontidão. O número, se confirmado, representaria uma expansão sem precedentes na rede primária e secundária do estado. Entretanto, a experiência histórica do cidadão amapaense com esqueletos de obras e hospitais que tardam a abrir as portas funciona como um contraponto natural ao otimismo exacerbado de Acácio Favacho.

Na habitação, o foco se volta para Macapá e Santana, com projetos vinculados ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), prometendo centenas de moradias para famílias de baixa renda. Novamente, a distância entre a assinatura de um protocolo de intenções e a entrega das chaves é medida em anos de burocracia e repasses nem sempre regulares.

A pergunta que reverbera em Macapá e Santana é de ordem aritmética: em um ano de restrições fiscais e debates sobre o teto de gastos, de onde virá o bilhão anunciado? Nem mesmo os relatores-gerais do Orçamento, figuras dotadas de poder quase absoluto sobre as verbas discricionárias, costumam ser tão pródigos com um único parlamentar, por mais influente que ele seja dentro da bancada do MDB. A estratégia de Favacho parece apostar na força das palavras para criar uma percepção de movimento e realização, um recurso comum em anos que antecedem ciclos eleitorais decisivos.

Ao fundamentar sua articulação no diálogo com prefeitos e vereadores, Favacho tenta nacionalizar sua imagem como o grande viabilizador de recursos federais. Mas o tamanho da promessa impõe um risco político proporcional à sua grandeza. No vocabulário político de Brasília, "articular" é um verbo de conjugação incerta; pode significar tanto o sucesso de uma negociação quanto apenas o início de uma conversa que pode nunca prosperar.

Se os recursos chegarem e as máquinas começarem a trabalhar, o deputado terá consolidado um capital político formidável. Se a montanha parir um rato, ou apenas algumas emendas pontuais, a cifra bilionária será lembrada como um capítulo de folclore orçamentário propalado por mais outro político fanfarrão.

Por ora, a população do Amapá ocupa o lugar de espectadora de um jogo de altas apostas. Em Brasília, a discussão técnica sobre os limites do empenho e da liquidação de despesas continua, alheia ao clima de festa nas redes sociais de Acácio Favacho. O desafio dele não será apenas garantir que o dinheiro saia dos cofres da União, mas que ele chegue à ponta final sem se perder nos labirintos da gestão local, permeada por acordos transversos nada republicanos. No fim do dia, o eleitor, habituado a promessas que brilham no papel mas empalidecem no sol do meio-dia, saberá distinguir entre um investimento real, ou, possivelmente, outro ataque de verborragia.