Investigada pela Polícia Federal pelo recebimento de R$ 3 milhões na conta de sua empresa, Raíssa Furlan anuncia candidatura ao Senado.
A Polícia Federal encontrou indícios de que empresas ligadas a Rayssa receberam depósitos de recursos desviados. O valor suspeito ultrapassa R$ 3 milhões.
Por Redação
A ex-primeira-dama de Macapá e médica Rayssa Furlan oficializou sua pré-candidatura ao Senado Federal. Ela é do partido Podemos e quer uma das duas vagas no Senado em 2026.
Essa notícia não foi surpresa para quem acompanha a política no Amapá. No entanto, o anúncio foi feito em um momento delicado. A Polícia Federal está investigando Rayssa e sua família por possíveis irregularidades político-administrativas.
A investigação, chamada de Operação Paroxismo, começou em março deste ano. Ela apurou fraudes em licitações e desvios de dinheiro para a construção do Hospital Municipal de Macapá. O ex-prefeito Antônio Furlan (PSD), marido de Rayssa, foi afastado e depois renunciou ao cargo.
Rayssa quer requalificar sua imagem. Ela foi secretária de Mobilização e Participação Popular, mas seu trabalho foi marcado por ausências constantes. Agora, isso deve ser usado contra ela pelos adversários políticos.
A entrada de Rayssa na corrida eleitoral não é um fato isolado. Ela faz parte de um projeto de poder que vinha sendo construído desde o auge da popularidade da gestão de seu marido em Macapá.
No entanto, o cenário mudou muito nos últimos dois anos. A pré-candidata agora carrega o peso de uma investigação federal que atingiu sua família e empresas privadas.
A Polícia Federal encontrou indícios de que empresas ligadas a Rayssa receberam depósitos de recursos desviados. O valor suspeito ultrapassa R$ 3 milhões.
A defesa de Rayssa e ela mesma estão em silêncio sobre as acusações. Mas o eleitorado já começa a questionar sua imagem.
Durante sua gestão, Rayssa recebia um salário de R$ 7 mil, mas poucas vezes aparecia no trabalho. Seu foco parecia estar mais na sua clínica particular do que no cargo público.
Essa discrepância é vista como um ponto fraco por analistas políticos. Eles acreditam que isso pode prejudicar sua campanha.
A derrocada do grupo político de Antônio Furlan deixou Rayssa isolada. Mas ela está apostando na estrutura do Podemos para tentar uma sobrevida política.
Rayssa quer garantir foro privilegiado e manter viva a influência do “furlanismo" em Macapá. Mas o desafio é grande: explicar como suas empresas cresceram financeiramente ao mesmo tempo em que recursos públicos eram desviados.
A Operação Paroxismo revelou um esquema complexo de contratos que beneficiavam o casal. O fato de os desvios estarem ligados à área da saúde, especialidade de Rayssa e seu marido, torna o caso ainda mais grave.
A investigação aponta que o esquema não era apenas uma falha administrativa, mas uma estrutura para capturar recursos públicos.
Rayssa prefere não falar sobre as acusações e se concentra em reuniões partidárias. Ela tenta consolidar o apoio de prefeitos e lideranças do interior do Amapá.
No cenário estadual, a candidatura de Rayssa fragmenta ainda mais o campo político. Ela precisará enfrentar não apenas a oposição, mas também o desgaste causado pela renúncia de seu marido.
A ausência de um sucessor natural no PSD e a crise de imagem do clã Furlan abrem espaço para outros nomes surgirem com um discurso de “limpeza ética".
A ex-primeira-dama terá que enfrentar um desafio difícil: convencer o eleitorado de que ela é uma opção viável. Mas o suposto envolvimento em esquemas de malversação podem minar sua pretenção eleitoral.



